Real, euro, dólar e libra esterlina Real, euro, dólar e libra esterlina

Análise cambial: real mostra força mesmo sob pressão internacional

Confira como os principais eventos da semana influenciaram a cotação do real frente ao dólar, euro e libra entre os dias 4 e 8 de agosto.

O mercado de câmbio acompanhou uma semana de grande oscilação, refletindo sinais divergentes das economias globais. Nos Estados Unidos, os indicadores de atividade superaram as expectativas, reforçando a ideia de que a economia segue robusta mesmo com as tarifas comerciais recém-impostas e os juros elevados. Enquanto isso, o Brasil manteve indicadores de emprego fortes, mas com evidências de desaquecimento econômico. Já na Europa, o crescimento segue lento, e no Reino Unido, iniciou-se um ciclo cauteloso de redução de juros.

Desempenho do real frente ao dólar

Na abertura da segunda-feira (04/ago), o dólar estava cotado a R$5,5421, valor 0,4% inferior ao início da semana anterior (28/jul). Ao longo da semana, a moeda americana perdeu força, encerrando a sexta-feira (08/ago) a R$5,4231, representando uma queda de 3,2% frente ao fechamento da sexta anterior (01/ago). No acumulado entre 28/jul e 08/ago, o real teve valorização de 2,5% frente ao dólar.

O mercado de trabalho brasileiro trouxe sinais positivos, com o Caged registrando a criação de 166,6 mil vagas formais em junho. No primeiro semestre, já são mais de 1,22 milhão de empregos com carteira assinada.

Apesar disso, os dados de atividade indicam desaceleração. O índice PMI de serviços caiu para 46,3 pontos e o PMI composto ficou em 46,6, ambos em território contracionista e em níveis historicamente baixos.

A ata recente do Copom demonstrou um viés conservador, mesmo diante do arrefecimento da economia. A Selic foi mantida em 15% ao ano, com o Banco Central sinalizando preocupação com o cenário externo, agravado pela nova rodada de tarifas dos EUA, que afetam mais de 90 países, inclusive o Brasil.

No campo dos preços, os indicadores mostraram estabilidade. O IGP-DI registrou leve queda de 0,07% em julho, enquanto o IPP (Índice de Preços ao Produtor) do IBGE apontou deflação de 1,25% em junho. A balança comercial apresentou superávit de R$7 bilhões, embora tenha sido o menor saldo para julho em três anos.

Nos Estados Unidos, os números continuam positivos. O PMI de serviços subiu para 55,7 e o PMI composto atingiu 55,1, sugerindo expansão sólida. No ambiente político, chamou atenção a indicação de Stephen Miran ao Federal Reserve. Ligado ao ex-presidente Trump e crítico da atual política monetária, Miran poderá votar nas decisões de juros caso seja aprovado pelo Senado.

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Real em comparação ao euro

O euro iniciou a semana (04/ago) a R$6,4131, e encerrou a sexta-feira (08/ago) valendo R$6,3211. Com isso, o real se valorizou 1,4% frente à moeda europeia ao longo da semana.

No mercado internacional, o euro apresentou valorização frente ao dólar, encerrando a semana cotado a US$1,1677, contra US$1,1578 na segunda-feira – uma alta de cerca de 0,9%.

A leve recuperação do PMI composto da Zona do Euro, que atingiu 50,9 em julho, sinaliza um modesto avanço, embora ainda não mude a percepção de estagnação econômica. A produção industrial da Alemanha teve queda de 1,9% em junho, com o dado anterior também revisado para baixo, refletindo as dificuldades da indústria em retomar ritmo de crescimento.

Diante desse quadro, aumenta a expectativa de que o Banco Central Europeu continue com cortes na taxa de juros. O ambiente externo menos turbulento e a inflação controlada criam espaço para uma política monetária mais branda nos próximos meses.

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Variação do real frente à libra esterlina

A libra começou a semana (04/ago) valendo R$7,3452 e foi negociada a R$7,2881 na sexta-feira (08/ago). Houve, portanto, uma valorização de 0,8% do real frente à moeda britânica.

No câmbio internacional, a libra recuperou terreno frente ao dólar, encerrando a sexta-feira cotada a US$1,3451, contra US$1,3280 no início da semana – um aumento de 1,3%.

Um dos destaques foi a decisão do Banco da Inglaterra, que reduziu a taxa básica de juros de 4,25% para 4,00%, com uma votação apertada (cinco a quatro). A medida foi motivada por um crescimento econômico moderado e por sinais de desaceleração no mercado de trabalho. Apesar de os salários ainda estarem em alta, os dados mostram perda de fôlego na atividade.

O PMI de serviços recuou para 51,8, o composto caiu para 51,5, e o de construção atingiu 44,3 pontos, mantendo-se em terreno negativo.

A assinatura de um acordo comercial entre Reino Unido e Estados Unidos, com tarifas recíprocas de 10%, trouxe alívio ao ambiente externo britânico. Mesmo com a redução dos juros, o BoE adota uma postura cautelosa e os próximos passos dependerão do comportamento dos indicadores econômicos.

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O que esperar para o real nos próximos dias?

O desempenho do real deve continuar atrelado à conjuntura global e ao apetite por risco nos países emergentes. Embora os PMIs americanos indiquem crescimento, os dados do payroll sugerem desaceleração nas contratações, o que tende a beneficiar moedas como o real.

A possível entrada de Stephen Miran no Fed pode intensificar a volatilidade dos mercados, especialmente se houver mudanças na condução da política monetária. Na Europa, a persistente estagnação deve abrir espaço para novos cortes de juros, o que enfraqueceria o euro. No Reino Unido, o afrouxamento monetário já começou, mas o ritmo deve ser gradual.

No cenário doméstico, a política monetária segue rígida, mas a perda de tração da economia e os efeitos das novas tarifas comerciais impostas pelos EUA devem ser acompanhados de perto nos próximos relatórios.

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