Semana encurtada pelo feriado de Natal começa com baixa liquidez e cautela dos investidores no Brasil
O dólar iniciou a semana em alta frente ao real nesta segunda-feira (22), em um pregão marcado por volume reduzido de negociações devido ao feriado de Natal. Mesmo sem grandes gatilhos econômicos, o movimento de saída de recursos e as incertezas políticas internas influenciaram o desempenho da moeda norte-americana.
Além do cenário de liquidez limitada, investidores acompanham com atenção o ambiente político projetado para as eleições presidenciais de 2026. A possibilidade de o senador Flávio Bolsonaro concorrer ao pleito contra o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, adiciona volatilidade às expectativas do mercado.
Cenário político ganha peso nas decisões do mercado
Outro fator observado pelos agentes financeiros é a entrevista do ex-presidente Jair Bolsonaro, prevista para ocorrer nos próximos dias. O mercado permanece sensível a declarações políticas, especialmente após Flávio Bolsonaro sinalizar intenção de disputar a Presidência em 2026, o que reforçou a instabilidade recente nos ativos domésticos.
Qual é o valor do dólar hoje?
Por volta das 12h39, o dólar à vista apresentava valorização de 0,58%, sendo negociado a R$ 5,562. Já o contrato futuro de dólar para janeiro, atualmente o mais negociado na B3, avançava 0,15%, cotado a R$ 5,565.
Dólar comercial
- Compra: R$ 5,561
- Venda: R$ 5,562
O que explica a alta do dólar nesta segunda-feira?
Com a semana mais curta por conta do Natal, o mercado brasileiro inicia os negócios sem estímulos relevantes para a moeda americana. Na sexta-feira anterior, o Congresso Nacional concluiu os trabalhos legislativos de 2025 com a aprovação do Orçamento para 2026, o que trouxe algum alívio institucional, mas não foi suficiente para conter a valorização do dólar.
O texto aprovado prevê um superávit primário de R$ 34,5 bilhões no próximo ano, valor ligeiramente superior à meta fiscal de R$ 34,3 bilhões, equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com o arcabouço fiscal, existe uma margem de tolerância de 0,25% do PIB para o cumprimento da meta, estabelecendo para 2026 um intervalo que vai de déficit zero a superávit de R$ 68,5 bilhões.
Projeções do mercado seguem mais pessimistas
Apesar do resultado previsto no Orçamento, o boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira mostrou que a mediana das expectativas do mercado para o resultado primário de 2026 continua apontando um déficit de 0,60% do PIB.
No mesmo relatório, as projeções para o dólar ao final de 2025 subiram de R$ 5,40 para R$ 5,43, enquanto a estimativa para o fim de 2026 permaneceu em R$ 5,50. Já as previsões de inflação foram revisadas para baixo: em 2025, passaram de 4,36% para 4,33%, e para 2026 recuaram de 4,10% para 4,06%.
Arrecadação federal registra crescimento real
Outro dado relevante divulgado foi o desempenho da arrecadação federal. Em novembro de 2025, a receita total do governo alcançou R$ 226,753 bilhões, o que representa um crescimento real de 3,75% em comparação com o mesmo mês de 2024, já considerando a inflação medida pelo IPCA.
Cenário internacional também entra no radar
No mercado externo, o iene apresentou desvalorização frente a moedas como o euro e o franco suíço, mesmo após sinais de que o Banco do Japão pode intervir no mercado cambial. Ainda assim, a moeda japonesa registrou valorização em relação ao dólar, refletindo movimentos pontuais de proteção e ajustes técnicos.
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