Moeda americana recua diante da expectativa de aproximação entre Brasil e Estados Unidos
O dólar comercial apresentou forte queda nesta terça-feira (23), refletindo o impacto da declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que confirmou um encontro com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na próxima semana. A notícia foi interpretada pelo mercado como um sinal de possível trégua diplomática entre os dois países, que atravessam momentos de tensão.
Trump elogia Lula e confirma agenda
Durante participação em evento em Nova York, Trump revelou ter conversado brevemente com Lula antes do início da sessão. O republicano fez elogios ao petista, afirmando: “Eu gosto dele e ele gosta do Brasil. Ele me pareceu um homem muito agradável”.
Esse será o primeiro encontro bilateral formal desde que Trump reassumiu a Casa Branca em janeiro deste ano.
Cotação do dólar hoje
Às 14h35, o dólar americano registrava queda de 1%, sendo negociado a R$ 5,282 na venda. Já os contratos futuros de primeiro vencimento (DOLc1), na B3, recuavam 0,80%, cotados a R$ 5,302.
- Dólar comercial (23/09):
Compra: R$ 5,289
Venda: R$ 5,290
O que motivou a queda do dólar
O movimento de baixa ocorreu após a confirmação da reunião entre Trump e Lula, trazendo alívio momentâneo em meio à pior crise diplomática recente entre Brasil e Estados Unidos.
Na véspera, a Casa Branca havia anunciado novas sanções contra autoridades brasileiras ligadas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Entre as medidas, a aplicação da Lei Magnitsky à esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e ao Instituto Lex, associado à família do magistrado.
Contexto político e tensões bilaterais
Em discurso na abertura da Assembleia da ONU, Lula criticou medidas unilaterais do governo americano e defendeu a soberania nacional: “não há justificativa para agressões contra nossas instituições e nossa economia”, afirmou.
Ainda não há definição sobre a pauta da reunião, mas as expectativas giram em torno de questões como o tarifaço de 50% sobre exportações brasileiras, as sanções contra ministros do STF e possíveis áreas de cooperação, incluindo clima e comércio.
Política monetária no radar do mercado
Além do noticiário político, investidores também acompanharam a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom). O Banco Central indicou um “novo estágio” da política monetária, com manutenção da Selic em 15% por um período prolongado para garantir a convergência da inflação à meta.
Segundo Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master, o BC deixou claro que o ciclo de alta de juros foi encerrado. “É claro que ele deixa uma abertura dizendo que se precisar aumentar, ele vai. Mas o registro mudou: agora o Copom vai esperar para ver os efeitos da taxa elevada na economia”, explicou.
Selic elevada atrai capital estrangeiro
A manutenção da Selic em 15%, somada à possibilidade de cortes de juros pelo Federal Reserve, fortalece o diferencial de juros do Brasil em relação a outros mercados. Esse fator mantém o real mais atrativo para investidores internacionais, o que ajudou a segurar o dólar próximo dos R$ 5,30.
Em entrevista ao ICL Notícias, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que os juros atuais não deveriam estar tão altos e defendeu cortes adicionais. Ele ressaltou ainda que o Brasil não enfrenta dificuldade em exportar, mesmo diante do tarifaço imposto pelos EUA.
Arrecadação federal registra queda em agosto
No cenário fiscal, a arrecadação do governo federal somou R$ 208,791 bilhões em agosto, uma queda real de 1,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Essa foi a primeira retração registrada em 2025.