Investidores acompanham de perto a divulgação do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, prevista para sexta-feira, enquanto o dólar comercial apresenta queda frente ao real nesta quinta-feira (23). A moeda americana também recua ante outras divisas de economias emergentes, refletindo cautela nos mercados internacionais.
Cotação do dólar nesta quinta-feira
Por volta das 10h36, o dólar à vista registrava baixa de 0,33%, sendo vendido a R$ 5,379. Na B3, o contrato mais líquido, com vencimento em novembro, caía 0,34%, negociado a R$ 5,395.
Dólar comercial e turismo
- Dólar comercial: Compra R$ 5,379 / Venda R$ 5,379
- Dólar turismo: Compra R$ 5,415 / Venda R$ 5,595
Desempenho da moeda no cenário internacional
Fora do Brasil, o dólar também perdeu valor frente a moedas como o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano. Por outro lado, apresentou alta frente a divisas fortes, incluindo o iene japonês e a libra esterlina.
O índice do dólar, que mede a força da moeda americana em relação a seis divisas internacionais, subiu 0,09%, alcançando 99,018 pontos.
Influência de declarações políticas no mercado
No cenário interno, as atenções se voltaram para as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita à Indonésia. O mandatário confirmou sua intenção de disputar um quarto mandato na Presidência, afirmando que mantém a mesma energia de quando tinha 30 anos.
Em discurso no Fórum Empresarial Indonésia-Brasil, Lula criticou políticas neoliberais, consideradas ineficazes para conter turbulências econômicas no mundo desenvolvido, e afirmou que não pretende limitar o Brasil a mero exportador de commodities.
Além disso, o presidente anunciou que o país defenderá, na COP30, a ampliação quadruplicada do uso de combustíveis sustentáveis.
Expectativa por indicadores econômicos
Apesar das movimentações, o dólar continua operando em margens estreitas frente ao real, com investidores aguardando dois eventos decisivos: a divulgação do CPI dos EUA na sexta-feira e a decisão sobre a taxa de juros pelo Fomc na próxima quarta-feira.
José Faria Júnior, diretor da consultoria Wagner Investimentos, comentou que, caso o CPI não surpreenda positivamente e o Fed reduza juros na próxima reunião, o real pode se valorizar novamente, aproximando o dólar de R$ 5,30.
Banco Central mantém postura restritiva
No mesmo fórum, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou preocupação com a inflação e expectativas fora da meta, apesar do processo de desinflação em andamento.
Ele reforçou que a taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, permanecerá elevada por um período prolongado para controlar a inflação. Galípolo não estipulou um prazo para que o índice retorne à meta de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual.
Leia também:
Países com moedas mais instáveis e como se proteger da desvalorização