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Investimento direto no Brasil tem pior desempenho em quatro anos

Queda nos aportes revela menor confiança na economia brasileira

O cenário econômico do Brasil no primeiro semestre de 2025 trouxe um sinal de alerta: os investimentos diretos no país atingiram o menor patamar dos últimos quatro anos. Entre janeiro e junho, o total investido foi de US$ 33,8 bilhões, volume 10,7% inferior ao mesmo período do ano anterior e o mais baixo desde 2021.

No recorte mensal, junho registrou um desempenho ainda mais preocupante. Foram apenas US$ 2,8 bilhões em investimentos diretos, valor 55% menor do que o registrado em junho de 2024.

Investimento direto é medidor da confiança no país

Diferente dos investimentos em Bolsa de Valores, o Investimento Direto no País (IDP) se refere a aportes de longo prazo. Isso inclui a abertura de novas filiais, fusões, aquisições e projetos de infraestrutura. Por esse motivo, o IDP costuma ser utilizado como um indicador da confiança do investidor estrangeiro na economia real do país.

Mesmo com a queda no primeiro semestre, o acumulado em 12 meses ficou em US$ 67 bilhões, o que representa 3,14% do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar da retração no semestre, esse número mostra uma leve melhora na comparação com os 2,87% registrados no mesmo intervalo do ano passado.

Incertezas globais e cenário interno impactam decisões

A diminuição no volume de investimentos está diretamente ligada a um conjunto de fatores adversos. O ambiente internacional tem sido marcado por incertezas geopolíticas e taxas de juros elevadas nos principais mercados, o que acaba desestimulando projetos de expansão global por parte de multinacionais.

No plano interno, a desconfiança em relação à estabilidade macroeconômica e regulatória brasileira também pesa nas decisões. Empresas estrangeiras estão cada vez mais cautelosas ao planejar novos aportes no país, especialmente diante da desaceleração da economia mundial.

Transações correntes em queda acentuada

Outro dado que reforça o momento delicado é o déficit em transações correntes, que continua crescendo. Em junho, o rombo foi de US$ 5,1 bilhões, frente aos US$ 3,4 bilhões registrados no mesmo mês de 2024. Já no acumulado de 12 meses, o saldo negativo chegou a US$ 73,1 bilhões, representando 3,42% do PIB. Em 2024, esse número era bem menor: US$ 28,9 bilhões.

Futuro incerto: novas tarifas dos EUA podem piorar o quadro

A perspectiva para os próximos meses é incerta. A partir de agosto, os Estados Unidos devem aplicar tarifas de 50% sobre alguns produtos brasileiros, medida que pode afetar ainda mais a competitividade do país e afastar potenciais investidores.

A combinação entre queda no IDP e o agravamento do déficit em transações correntes acende um alerta. Se as condições externas continuarem adversas e as políticas internas não gerarem segurança, o Brasil poderá enfrentar maiores dificuldades para atrair capital estrangeiro no médio prazo.

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