As decisões anunciadas na Super Quarta movimentam mercados e afetam diretamente a economia brasileira e norte-americana, com impactos que se estendem para investidores e consumidores.
Nos últimos meses, o Brasil surpreendeu com um desempenho econômico acima do esperado, mesmo em meio a juros altos. Nos Estados Unidos, os dados mais recentes indicam um desaquecimento na atividade e uma leve retração no ritmo do mercado de trabalho. Esse cenário pode abrir espaço para que o Federal Reserve (Fed) comece a reduzir os juros a partir de setembro.
Mas afinal, o que é a Super Quarta e por que ela importa tanto para a economia? Neste artigo, explicamos esse evento decisivo, suas implicações e o que esperar das próximas reuniões.
Entenda o que é a Super Quarta
O termo “Super Quarta” é usado quando, simultaneamente, o Banco Central do Brasil (por meio do Copom) e o Federal Reserve dos Estados Unidos (através do FOMC) divulgam suas decisões sobre as taxas de juros e, como o nome sugere, isso acontece no mesmo dia, e em uma quarta-feira.
Essas reuniões ocorrem de forma independente, mas quando coincidem, concentram a atenção dos mercados globais. Afinal, são momentos em que se definem os rumos da política monetária de duas das maiores economias das Américas.
Decisão do Copom: expectativa de manutenção da Selic
Para a reunião marcada em 30 de julho de 2025, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a taxa Selic em 15% ao ano. A expectativa foi reforçada no comunicado oficial da reunião de junho.
Desde setembro de 2024, o Copom retomou o ciclo de alta de juros, levando a Selic de 10,50% para os atuais 15%. Com isso, o Brasil passou a ter uma das taxas básicas mais altas do mundo.
Mesmo com a valorização do real no primeiro semestre de 2025, o Banco Central opta por cautela. Como os riscos de desancoragem nas expectativas ainda não foram eliminados, a tendência é que a Selic permaneça elevada nas próximas decisões.
Próximas datas da Super Quarta em 2025
A Super Quarta ocorre em datas específicas ao longo do ano, quando há reuniões simultâneas do Copom e do FOMC. Em 2025, esses eventos estão marcados para:
- 29 de janeiro
- 19 de março
- 7 de maio
- 18 de junho
- 30 de julho (próxima Super Quarta)
- 17 de setembro
- 10 de dezembro
Fed também deve manter juros nos EUA
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve deve preservar sua taxa básica de juros no patamar de 4,50% ao ano. Essa expectativa já está precificada pelos mercados, que aguardam uma postura mais conservadora da instituição ao longo de 2025.
As decisões do Fed repercutem globalmente. Um exemplo disso é o impacto no dólar: ao manter os juros elevados, a moeda norte-americana tende a se valorizar frente a outras divisas, influenciando o câmbio e a rentabilidade de ativos negociados em Bolsa.
Atuando como o banco central mais influente do mundo, o Fed acaba orientando decisões de outros bancos centrais. No caso do Brasil, isso pode justificar a manutenção da Selic mesmo que a inflação esteja sob controle.
Inflação, emprego e cautela: os desafios do Fed
Embora a inflação americana tenha começado a desacelerar, ela ainda se mantém acima do desejado. Além disso, o novo governo dos EUA adota uma política econômica mais protecionista, o que pode pressionar ainda mais os preços.
Mesmo com a recente queda no ritmo do mercado de trabalho, o Fed deve adotar uma abordagem mais cautelosa, optando por manter os juros até que os riscos inflacionários se dissipem. O cenário volátil previsto para 2025 exige prudência nas decisões de política monetária.
Efeitos globais: Europa e China também acompanham
O Banco Central Europeu (BCE) enfrenta um dilema semelhante. Apesar da estagnação econômica na Zona do Euro e da queda gradual da inflação, o BCE pode manter os juros estáveis para evitar uma depreciação do euro frente ao dólar, caso o Fed siga mais conservador.
Se o BCE reduzir os juros enquanto o Fed os mantém, o diferencial entre as taxas pode atrair capital estrangeiro para os EUA, enfraquecendo a moeda europeia e gerando novos desafios para o bloco econômico.
Na China, o Banco Popular adotou estímulos em 2024 e conseguiu atingir a meta de crescimento de 5%. Para 2025, o país asiático deve seguir com cortes graduais nas taxas de juros e medidas fiscais mais ativas, atento ao movimento do Fed e às tensões comerciais internacionais.
O que esperar do cenário econômico em 2025?
Com um cenário externo incerto e decisões monetárias interligadas, os próximos meses devem ser marcados por cautela e ajustes pontuais nas taxas de juros. A manutenção das taxas pelo Fed e pelo BCE, combinada com a política de juros elevados no Brasil, indica um ambiente de estabilidade relativa, porém com muita atenção aos sinais da inflação e do mercado de trabalho.
Para os investidores e para a economia global como um todo, a Super Quarta segue sendo um marco importante: um dia que pode redefinir tendências, influenciar moedas e moldar as expectativas para os próximos trimestres.
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