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Ouro recua com dados fortes dos EUA e menor chance de corte de juros

Prata despenca quase 10% enquanto mercado reavalia cenário monetário e riscos geopolíticos

O mercado de metais preciosos encerrou a quinta-feira, 12, em forte ajuste negativo. O ouro registrou queda próxima de 3% e voltou a ser negociado abaixo de US$ 5 mil por onça-troy, pressionado por indicadores econômicos robustos nos Estados Unidos. Já a prata teve desempenho ainda mais intenso, acumulando perdas próximas de 10% no dia.

Na divisão de metais da bolsa de Nova York, a Comex, o contrato do ouro para abril terminou o pregão com recuo de 2,94%, cotado a US$ 4.948,40 por onça-troy. A prata com vencimento em março caiu 9,81%, encerrando a US$ 75,68 por onça-troy.

Mercado de trabalho dos EUA reduz apostas em corte de juros

A principal pressão sobre o ouro veio do cenário macroeconômico norte-americano. Dados recentes indicaram que os pedidos de auxílio-desemprego recuaram para 227 mil, número muito próximo da expectativa de 226 mil solicitações. A divulgação ocorreu um dia após a publicação de um payroll significativamente acima do esperado pelo mercado.

Com indicadores apontando para resiliência do mercado de trabalho nos Estados Unidos, investidores passaram a revisar as projeções para cortes de juros no curto prazo. Como o ouro não oferece rendimento próprio, a perspectiva de manutenção de taxas elevadas reduz sua atratividade relativa frente a ativos que pagam juros, como títulos públicos. Esse movimento costuma gerar pressão negativa sobre os preços do metal.

Tensões geopolíticas permanecem no radar

Além dos fatores econômicos, o ambiente internacional também foi monitorado pelos agentes financeiros. O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, declarou que Estados Unidos e Irã demonstram disposição para avançar em negociações relacionadas ao acordo nuclear. No entanto, alertou que incluir o programa de mísseis balísticos iraniano nas tratativas poderia inviabilizar qualquer entendimento e ampliar tensões.

Em paralelo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou após reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o Irã pode ser pressionado a aceitar um acordo considerado adequado pelas potências envolvidas.

Apesar dessas declarações, o impacto geopolítico não foi suficiente para sustentar o ouro, tradicionalmente visto como ativo de proteção em momentos de incerteza.

Foco nos dados americanos e menor liquidez na Ásia

Segundo análise do Saxo Bank, o mercado voltou a concentrar atenção nos fundamentos econômicos dos Estados Unidos, após um período recente de volatilidade elevada. Esse movimento sugere certa normalização no comportamento dos preços, com investidores priorizando indicadores concretos em vez de ruídos momentâneos.

Outro fator citado foi o feriado do Ano Novo Lunar na China, que tende a reduzir a liquidez e o apetite por risco nos mercados asiáticos. Menor volume de negociações pode intensificar oscilações e dificultar a sustentação de movimentos de alta.

Alavancagem na China levanta alerta sobre bolha no ouro

Além das questões macroeconômicas e geopolíticas, analistas também acompanham com atenção o comportamento da demanda chinesa. De acordo com a Capital Economics, o aumento recente na procura por ouro em Pequim parece estar mais associado ao uso crescente de alavancagem e contratos futuros do que a uma busca genuína por proteção patrimonial.

Esse padrão pode indicar a formação de uma bolha especulativa em expansão, em vez de um movimento defensivo tradicional. Caso essa leitura se confirme, a tendência é de que o mercado experimente volatilidade ainda maior, com episódios adicionais de fortes oscilações de preços, semelhantes aos observados no início do ano.

Perspectivas para o mercado de metais preciosos

A combinação entre dados econômicos sólidos nos Estados Unidos, menor probabilidade de cortes imediatos de juros e indícios de especulação excessiva na China cria um cenário desafiador para o ouro no curto prazo. A prata, que costuma apresentar maior volatilidade, já refletiu esse ambiente com quedas mais acentuadas.

Para os investidores, o foco continuará sendo o comportamento da economia americana, as próximas sinalizações do Federal Reserve e a evolução das tensões internacionais. Em um contexto de juros elevados e incertezas globais, o mercado de metais preciosos deve permanecer sensível a qualquer nova informação que altere as expectativas sobre política monetária e risco global.

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