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Ouro recua com investidores atentos a tensões geopolíticas e política monetária dos EUA

O mercado de ouro encerrou o pregão desta quinta-feira, 26, em baixa, refletindo um movimento de realização de lucros após ganhos recentes. O cenário internacional, marcado por incertezas envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear iraniano, manteve os investidores cautelosos. Além disso, o mercado segue acompanhando os rumos da política comercial americana e as sinalizações sobre a trajetória dos juros pelo Federal Reserve.

Na Comex, braço de metais da bolsa de Nova York, o contrato de ouro com vencimento mais negociado fechou em queda de 0,61%, cotado a US$ 5.194,20 por onça-troy.

A prata também apresentou desempenho negativo. O contrato para março recuou 4,38%, encerrando a sessão a US$ 86,998 por onça-troy.

Negociações entre EUA e Irã influenciam mercado de metais

As conversas entre Washington e Teerã começaram ainda pela manhã e se estenderam ao longo da tarde. De acordo com informações divulgadas pela Al Jazeera, um alto representante iraniano afirmou que a proposta apresentada por seu país prioriza a retirada das sanções impostas pelos Estados Unidos.

O mesmo funcionário destacou que o Irã não considera encerrar o enriquecimento de urânio, defendendo essa prática como um direito soberano da nação. Essa posição mantém elevado o nível de incerteza no cenário geopolítico, fator que tradicionalmente impacta ativos considerados de proteção, como o ouro.

Analistas do banco holandês ING avaliam que um eventual agravamento das tensões entre os dois países tende a fortalecer ainda mais o papel do ouro como instrumento de hedge diante de choques externos. Segundo o banco, os fundamentos estruturais que sustentaram a valorização recente do metal continuam presentes, mesmo diante das oscilações pontuais.

Federal Reserve e juros nos EUA seguem no radar

No campo da política monetária, declarações de autoridades do Federal Reserve também influenciaram o humor do mercado. O diretor Stephen Miran reiterou seu posicionamento favorável a cortes mais intensos nos juros americanos, mencionando a possibilidade de quatro reduções que, somadas, representariam um afrouxamento de um ponto percentual.

Durante entrevista, Miran afastou a existência de um problema inflacionário relevante no momento. Historicamente, ciclos de queda nos juros costumam beneficiar o ouro, uma vez que reduzem o custo de oportunidade de manter ativos que não oferecem rendimento, como é o caso do metal precioso.

Política comercial dos EUA adiciona incerteza ao cenário

Além das discussões envolvendo o Irã e das perspectivas para a taxa de juros, o noticiário político norte-americano também trouxe novos elementos de atenção. Segundo o site Politico, integrantes da administração do presidente Donald Trump estariam analisando alternativas jurídicas para permitir que o governo retenha bilhões de dólares em receitas tarifárias.

Esses valores teriam sido considerados ilegais pela Suprema Corte dos Estados Unidos, o que abre espaço para disputas institucionais e possíveis impactos adicionais sobre o ambiente econômico e comercial do país.

O que esperar do ouro no curto prazo

O desempenho recente do ouro reflete uma combinação de fatores técnicos e fundamentos macroeconômicos. A realização de ganhos após uma sequência de altas é um movimento comum em mercados financeiros. No entanto, a persistência de riscos geopolíticos, a incerteza quanto à política comercial americana e as expectativas em torno dos juros nos Estados Unidos seguem sustentando a relevância do metal como ativo estratégico.

Para investidores que acompanham o preço do ouro, o cenário atual reforça a importância de monitorar tanto os desdobramentos das negociações entre EUA e Irã quanto as próximas sinalizações do Federal Reserve. Em momentos de instabilidade global, o ouro historicamente retoma protagonismo como reserva de valor e instrumento de proteção patrimonial.

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