O mercado de petróleo encerrou esta quarta-feira, 22, com forte valorização, impulsionado pelas tensões persistentes no Oriente Médio. Mesmo após o anúncio de extensão do cessar-fogo pelos Estados Unidos, os preços reagiram em alta, levando o barril do Brent novamente ao patamar de US$ 100.
O contrato do petróleo WTI para junho, negociado na New York Mercantile Exchange, avançou 3,66%, com ganho de US$ 3,29, fechando a US$ 92,96 por barril. Já o Brent, referência internacional negociada na Intercontinental Exchange, registrou alta de 3,5%, ou US$ 3,43, encerrando o dia cotado a US$ 101,91.
Incertezas geopolíticas impulsionam os preços da commodity
Durante as primeiras horas do dia, o petróleo chegou a operar em queda, refletindo o anúncio da prorrogação da trégua feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No entanto, o cenário mudou após a divulgação de um vídeo por parte do Irã, com tom irônico em relação ao acordo.
A reação elevou a percepção de risco no mercado, especialmente diante da falta de definições claras sobre o futuro das negociações entre os dois países. A possibilidade de um acordo definitivo ainda permanece incerta, o que mantém os investidores cautelosos.
Segundo informações da imprensa internacional, o Irã estaria condicionando a retomada do diálogo ao fim das restrições impostas pelos EUA aos seus portos. Esse impasse contribui para a instabilidade no cenário global.
Tensões no Estreito de Ormuz aumentam volatilidade
Outro fator que intensificou a alta do petróleo foi a atuação da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. A instituição informou ter interceptado duas embarcações no Estreito de Ormuz, além de realizar ataques contra outros navios que transitavam pela região.
Esses acontecimentos elevam a preocupação com a segurança de uma das rotas marítimas mais estratégicas para o transporte global de petróleo, impactando diretamente os preços da commodity.
Projeções indicam mercado instável e sensível a novos eventos
Na avaliação da Swissquote, o petróleo deve continuar apresentando oscilações relevantes, mantendo-se em níveis mais altos do que antes do início do conflito. Ainda assim, a instituição aponta limitações para uma valorização contínua, já que preços elevados tendem a reduzir a demanda.
Já a Zaye Capital Markets destaca que o mercado não considera, neste momento, uma solução definitiva para o conflito. A precificação atual reflete uma redução parcial dos riscos, o que mantém o ambiente sensível a novos desdobramentos geopolíticos.
Dados de estoques nos EUA também influenciam o mercado
Além do cenário internacional, indicadores dos Estados Unidos contribuíram para a valorização do petróleo. Dados divulgados pelo Departamento de Energia mostraram um aumento de 1,925 milhão de barris nos estoques de petróleo bruto.
Por outro lado, houve redução nos estoques de gasolina e destilados, fator que reforçou a pressão de alta sobre os preços e intensificou os ganhos ao longo do dia.
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