Real Real

Real se destaca entre moedas em 2026 e projeção indica dólar a R$ 4,90 no curto prazo

A moeda brasileira tem chamado atenção em 2026 pelo seu desempenho consistente frente ao dólar. Mesmo em cenários de maior instabilidade global, o real demonstra força, enquanto instituições financeiras ajustam suas projeções para o câmbio nos próximos meses.

Desempenho do real surpreende mesmo com instabilidade

Apesar de momentos de maior aversão ao risco nos mercados internacionais, o real tem se mantido relativamente estável. Nesta terça-feira, o dólar girava em torno de R$ 4,98 durante a tarde, praticamente sem variação relevante, mesmo com a queda do Ibovespa no dia.

No acumulado do ano, a moeda americana registra uma desvalorização de aproximadamente 9,2% frente ao real. Esse movimento coloca o Brasil em posição de destaque no cenário cambial global.

Moeda brasileira lidera ranking global em 2026

Segundo análise do Goldman Sachs, o real é atualmente a moeda com melhor desempenho no ano. Além disso, está entre as poucas que apresentam valorização superior ao período anterior às tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã.

Esse resultado positivo é sustentado por três fatores principais. O primeiro é a melhora nos termos de troca do Brasil nos últimos meses, impulsionando a entrada de recursos. O segundo é a recuperação dos ativos de risco, que anteriormente pressionavam a moeda brasileira. O terceiro fator é o elevado nível de carry trade, comparável ao peso colombiano.

Carry trade continua favorecendo o real

O diferencial de juros ainda elevado no Brasil mantém o país atrativo para investidores estrangeiros. Em operações de carry trade, investidores captam recursos em moedas com juros baixos e aplicam em mercados com retornos mais altos, como o brasileiro.

Enquanto o Banco Central segue com uma postura cautelosa na política monetária, com expectativa de redução de juros de apenas 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, esse diferencial continua sustentando o fluxo de capital para o país.

Espaço para valorização existe, mas riscos permanecem

A avaliação do banco aponta que o real ainda pode continuar se valorizando, especialmente se os preços de commodities como o petróleo permanecerem elevados sem comprometer o apetite global por risco.

No entanto, o principal risco no curto prazo seria uma possível reversão desse apetite por ativos mais arriscados, o que poderia impactar negativamente moedas emergentes, incluindo o real.

Estratégias mais cautelosas ganham espaço

Apesar do cenário positivo recente, a recomendação é de maior cautela nas posições compradas em real. Uma alternativa sugerida para reduzir riscos é estruturar operações mais equilibradas, utilizando outras moedas emergentes, como o peso chileno, como base de financiamento.

Com a valorização já acumulada ao longo do ano, o equilíbrio entre riscos e oportunidades se tornou mais simétrico. Diferente do início de 2026, quando havia um viés mais claro de valorização, o cenário atual permite movimentos tanto de alta quanto de baixa.

Eleições no Brasil devem influenciar o câmbio

Com a aproximação das eleições presidenciais de outubro, fatores internos tendem a ganhar maior relevância na formação do câmbio. Até o momento, o impacto político ainda é limitado, mas deve crescer nos próximos meses.

Além disso, a expectativa de maior volatilidade nesse período pode reduzir a atratividade de estratégias tradicionais em moedas de mercados emergentes, especialmente se houver piora na relação entre retorno e risco.

Projeções para o dólar são revisadas para baixo

Diante do cenário atual, o Goldman Sachs revisou suas estimativas para o dólar frente ao real. A nova projeção indica que a moeda americana pode atingir R$ 4,90 em três meses.

Para prazos mais longos, a expectativa é de que o dólar fique em torno de R$ 5,00 tanto em seis quanto em doze meses. Anteriormente, as estimativas eram mais elevadas, chegando a R$ 5,30.

Perspectivas para o câmbio em 2026

No curto prazo, fatores como termos de troca e incertezas geopolíticas continuam sendo os principais direcionadores do câmbio. Já no médio prazo, o cenário doméstico, especialmente o político, deve assumir protagonismo.

Com isso, o comportamento do real ao longo de 2026 dependerá de uma combinação entre condições externas e decisões internas, exigindo atenção redobrada de investidores e empresas que operam com câmbio.

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